infinda

Ela fala pouco.
Quando fala, a terra adormece, o vento cessa, o fogo diminui e as águas se findam para ouvi-la.
Não há nada de tão especial nessa mulher, a não ser a maneira com que escuta.
Ela é escutadeira.
Um desavisado pensa ser especial diante desse silêncio.
E ela colhe o feijão com os olhos. Das vezes, ela para...pensa, recolhe palavras para que o destino não as leve.
Toma o cobertor, trança os cabelos e caminha até a ventania dos seus sentimentos... e fica por horas assim.
O tempo não condiz com sua pele. A velhice não cria raízes na sua alma. Tenta, mas não consegue.
Ela sabe quem é. Sabe ser.
Ter e ser são um só verbo.
Sorri gargalhadas histéricas.
                                    
                              Seus olhos são sangue quando confrontada.

Mas no fim, pego em sua mão macia e atravesso nossas ruas.




beijos recebendo "visitas" estranhas

Curandeira

Matéria super interessante d

Referência de vida.

"Eu estudei os livros dos médicos japoneses. Os médicos japoneses são tão diferentes dos nossos médicos, como o dia e a noite."

                                                                         Irmã Eva Michalak




entre águas

(...) é tão distante que me encontro no meio do caminho.
Entre deixar o que ficou e o seguir em frente, existe um vale de águas profundas, um lago inerte; onde nada se mexe, nada se cria.

Onde o tempo descansa, canções são internas, onde os sonhos são mais reais que o acordar.
e esse meu ventanear de sentimentos que vive em mim, dorme enternecido no vale em que me encontro.

O futuro é colheita, não é algo que se anseia falar.  

Enquanto privo do meu caminhar, as Luas assenhoram-se no céu.
                                                      
                                                      Há dias que me provoco o riso.

(...) fico a vigiar a chegada do mar em mim.




Beijos silenciados