o sentir dentro de um olhar











by Marcos Graeff


Tarde lenta, chuvosa.
Um amigo propõe , “dá uma olhada no meu vídeo”.





Aguardo-me. Entre outros dias fui ver.

Olhei, desolhei. Não sou muito boa de visão.

Entre o mar e Glória, existe um cesto. Pessoas que perpassam curiosos olhares.
Perco-me na tentativa de ampliar.

Dele derrama objetividade, clareza, contemplação em quatro pontos. Definido e constante.

O que hei de fazer se escrevo ondulante, a dançar letras envergadas a saber sentir mais que olhar?

E quando as mulheres passam sob o olhar desnudo dos homens, deságua-me um sorriso.

Retomo.

Ao tentar expressar-me, identifico-me Glória.

Calma, guiada, provedora, cocriadora do que há no cesto. Algo feminino no tanto de masculino.

E o cesto vai guardando olhares...
Braços morenos seguram com força em Glória. Deslizam-na pela areia firme... límpida.


Em outro momento, a rede deleita-se na areia, tecida pelas mãos de Sol que o Mar salga ao morrer do dia.

                      
                   
Se finda assim, sem (pre)tensão.


Há dias que nos prolongamos no olhar...

                                        Têm instantes que tecemos no sentir.


                                                                                                                              Bianca Furtado