Mãe Mulher filha


Do ventre vulpino, macio e gostoso, eu nasci...
 Eu a chamo de Raposa.
   Falar de minha mãe é algo que me faz rir e ser feliz.

O que dizer de uma mãe-selvagem?

Ela rosna, beija, lambe e foge para o cimento urbano.
 Não há ninguém que a segure, ela é livre, inteira, maneira. 
  Têm asas compridas, onduladas, lábios macios, carnudos e uma cauda exuberante.

Trocamos batons: beijo ela, ela me beija, na boca.

Ouve Led ZepPelin, não gosta de Bossa Nova e nem MPB.
Encontrou Renato Russo antes de mim.

Sua gargalhada arranha os céus deste planeta, e faz embora qualquer tristeza.

Mãos pequenas de unhas pontudas; delas me lembro de palmadas doídas (geralmente no bumbum). Palmada de mãe dói, porque pra quem você vai pedir socorro?

Seios volumosos, nutridores (o sutiã sempre em evidência sensualidade).
Quadris largos, terra fértil.
Já foi morena, loira, arruivada. Estacionou no castanho.
Impossível não amá-la, no seu vertiginoso amor pela vida. Que pariu!

Eu sou uma das suas vidas.
  Feliz escolha a minha.
    Vou honrá-la... Ela e a vida.

Pra sempre, sua vida, sua filha, mãe, amiga.  






beijokas maternais
















foto acervo pessoal